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sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Colunas Literárias: A música na Literatura


A Música e sua Influência na Literatura 



Por Mhorgana Alessandra


“Pequenas gotículas
Compõe uma música
De ida e volta, é única!
Se adensa nas partículas!

Escrever em cada
Sereno, dunas que movem
Corredeiras que emudecem
Num sopro de alma calada!

Suavidade no caminho arenoso
Céu que induz ao silêncio
Algoz, tempo partiu esplêndido
Marcas fincadas grande engano!

Nas brisas, o perfume
Das maresias que se iludem
E transcendem
Trajetórias que se abrigam de lume"!

(Música / Fhatima) 

A relação da Música com a Literatura tem sua interseção na audição, uma vez que a escrita é uma representação simbólica dos sons — uma gravação codificada da fala. A relação entre elas, é a mais profunda entre todas as artes, não somente por serem as que mais têm apreciadores, mas também por ser a voz humana, o mais primitivo instrumento musical. A música surgiu do canto e, neste, o conteúdo é a poesia declamada através da melodia. 

Desde os primórdios, o homem procurou imitar a voz ao produzir instrumentos musicais, com danças e melodias acompanhadas pela execução de instrumentos. A história da música confunde-se com a própria história da literatura e com o desenvolvimento da inteligência e da cultura humana.

A música ocidental tem referências no canto litúrgico da Igreja Católica Romana. A própria liturgia é, em si, uma obra literária. Com a evolução, e por influência dos trovadores, a harmonia começou a ser introduzida. Inicialmente pela divisão das vozes, em seguida, com o recital dos textos e introdução de coros. Foi no Barroco, período em que as obras puramente instrumentais foram introduzidas na música, que surgiu a forma mais intimamente ligada à literatura da música — a ópera. 

A ópera é um poema dramático musicado e teatralmente representado, com canto e acompanhamento orquestral, incluindo também, a dança e a composição cenográfica como elementos.É uma arte plural, em que a literatura, o teatro, a música, a dança e as artes plásticas, através do cenário, se encontram, trazendo um espetáculo de sensações ao espectador. 

“Orfeo”, de Claudio Monteverdi (1567-1643), pode ser considerada a primeira ópera. O mais poderoso nome da história da ópera foi Richard Wagner (1813 -1883). O compositor destacava a ópera como a arte suprema, por envolver todas as outras artes. Suas obras se baseavam em episódios lendários do folclore germânico, que foram traduzidos em poemas pelo próprio compositor. Todo o drama é cantado, e há uso de instrumentos da orquestra ao longo da ópera inteira, mesmo nos trechos mais líricos. 

Outro gênero musical intimamente ligado à literatura, mais precisamente à poesia, é o “lied”, ou canção alemã. Surgiu no século XIII, e ganhou força expressiva com Schubert (1797-1828).

Através da declamação da melodia com acompanhamento instrumental, o solista e o acompanhante desempenham papéis interdependentes na comunicação do conteúdo emocional da poesia. 

Schubert escreveu 600 “lieds” em seus 31 anos de vida, a maior parte musicando poemas de Goethe e Heine.

Podemos destacar ainda, algumas obras não consideradas poemas sinfônicos, como a precursora “Sinfonia Pastoral” de Beethoven (1770-1827) e as sinfonias “Fantástica” e “Haroldo na Itália” de Berlioz (1803-1869), bem como “Romeu e Julieta” de Tchaikovsky (1840-1893). Essas obras constituem-se execução literária de música, pois os recursos musicais da melodia, harmonia e ritmo procuram expressar o que a poesia, a pintura ou a filosofia querem comunicar à razão e à emoção de cada ouvinte. 

Há muita afinidade entre a música e a literatura. Ao longo de toda a história da música, a literatura sempre foi fonte inspiradora da criação musical e seus sons. 

Podemos inferir que a razão dessa afinidade esteja na própria estrutura da organização da mente humana, pois, uma vez adquirida a linguagem, o cérebro elabora o pensamento em termos do discurso, através da articulação das palavras em frases, para a condução do raciocínio que nos leva às ações.

A música, por sua expressão na dimensão temporal, é criada mentalmente numa sucessão de sons, como se cada ideia melódica possuísse uma estrutura sintática com o sujeito, o predicado e os adjuntos. Ao compor, o artista elabora um texto musical onde expressa suas ideias do mesmo modo que na redação do texto literário. 

A presença do elemento lúdico, sobretudo na estrutura e no processo de composição da canção, não é a única forma de manifestação da poesia. Temos exemplos de bandas que, na atualidade, fazem música poética — ópera através do rock.

Bandas de heavy metal sinfônicas, que unem a poesia, a orquestra e o ritmo alucinante das guitarras, como Épica, After Forever, Therion, Nightwish, dentre outras. E não podemos deixar de mencionar compositores brasileiros que escrevem seus ritmos através da literatura: Vanessa da Mata, Caetano Veloso, Gabriel o Pensador, Chico Buarque, Vinícius de Moraes, Humberto Gessinger, Tico Santa Cruz e alguns outros que unem essas duas artes, trazendo o prazer a quem dedica seu tempo à arte de ouvir a poesia e aquecer a alma. 


Encontre a autora em:

Facebbok: Mhorgana Alessandra
Instagram: @mhorganaalessandra

2 comentários:

  1. Como sempre arrasando,filosofando.

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  2. Minha Diva, música e literatura nasceram para andar juntas e seu belíssimo texto remete o leitor a isto. Eu sempre amei a musicalidade da poesia de Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira, bem como sempre me comove e emociona a profunda poesia das canções de Tom Jobim e Vinicius de Moraes. Bjos da Maga

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